sábado, 9 de janeiro de 2016

sobre você (e um pouco de mim)

moça,
você ainda escreve.
confesso que não esperava,
mas ainda assim surgiu uma pontinha de alegria em te ler, te saber.
eu queria entender, moça... por que, depois de tanto tempo, surpresas e acasos, por que você ainda escreve?
eu te leio e sinto que as palavras ainda são as mesmas.
aliás, talvez tenha mudado algo no vocabulário - parece mais rebuscado,  clássico, adulto.
mas, moça, o conteúdo é mesmo...
queria entender de onde vem tanta dor?
por que depois de tanto tempo (quantos anos são? quase uma década...) você ainda parece tão partida?
quem feriu seu coração romântico e infantil? quem é que não tem deixado ele sarar?
moça, será que você anda remoendo coisas do passado?
será que é você quem não consegue seguir em frente?
são só perguntas... talvez você nunca leia, nunca responda...
eu estou muito longe, mas - se pudesse te ver - não falaria nada, nenhuma pergunta.
não esperaria nenhuma resposta tua,
você não precisa de perguntas e, talvez, nem de respostas.
você precisa de um abraço, moça.
de alguém que te ouça compartilhar suas dores (tão profundas), seja ouvindo suas palavras ou seus silêncios.
te deixaria deitar no meu colo e alisaria seus cabelos, o tempo que fosse necessário.
talvez você não entenda que motivos tenho para querer estar perto,
mas, acredite, eu sei o que é se sentir sozinha.
sei o que é não ter alguém para te tomar as mãos, te olhar nos olhos e todas essas coisas...
(parecem bobagens, mas - acredite - são muito necessárias)
isso vai machucando aos poucos, tão lentamente que às vezes cê até acha que esquece,
cê até acha que é tudo normal.
mas a solidão vai te mudando, não é?
te deixa mais fria e insensível, indiferente
até...
não dá vontade de agir porque, afinal, as coisas não saem mesmo do lugar.
as coisas não mudam. só você muda.
a solidão vai te deixando desacreditar de tudo, de todos.
até mesmo das pessoas que você ama.
daí você não acredita mais que um abraço resolva as coisas.
tudo se torna mais duro, mais difícil.
e daí não tem mesmo como deitar no colo de alguém e contar qualquer coisa,
seja das mais banais às mais sérias.
não tem mesmo como deixar que alguém ouça seus silêncios...
porque você não acredita mais nisso, moça.
e é preciso tomar cuidado.
a solidão vai te deixando desacreditar, inclusive, do amor!


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