domingo, 26 de janeiro de 2014

a bailarina de sensações

"Se escreveu, remeta" 
Do It - Lenine

Como uma chuva que nos pega de surpresa e traz aquele resfriado no dia seguinte, li aquelas palavras com um misto de melancolia e nostalgia. Tudo me remete ao passado, ao acaso, ao não-saber. Tudo é caos e talvez. Por que alguma coisa, bobas, nos afetam tanto? Por que fatos estranhos e incomuns nos acertam com a maestria de quem treinou dardos durante toda uma vida? Por que o eu (palavra) não aprendeu a comportar-se com coerência e retidão? Por que tantas perguntas? É tudo sem solução. Soluços. E eu continuo aqui, buscando um sei-lá-o-quê que me guia e me faz mudar a direção de mim. Esse sei-lá-o-quê planta nós em minha garganta, torna trôpegos os meus passos lentos e cansados, me faz pensar. É tudo aquilo que faz minha cabeça girar e meus pés saírem do chão. Mas eu não caio. Continuo firme, procurando o equilíbrio perdido na corda que bambeia. Fecho os olhos e imagino uma dança. Uma dança solitária e bonita. Uma dança gentil. Uma dança onde os ventos me abraçam com suas duas mil rajadas, e me acariciam. E a lua sorri o riso mais terno e amável do mundo. Me embala. Não deixo de me sentir sozinha na noite vil, mas tenho companhia. E quase adormeço com pensamentos que entram e saem pelos portais de mim, e escorrem pela retina, pelo não-saber.


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