quinta-feira, 23 de março de 2017

sobre d e s a p a r e c e r

hoje quase senti o gosto do não existir
não falo de morte
mas apenas de um desaparecer
um querer sumir, dissolvendo-se de tudo
de todos
senti escorrer pelos dedos a última gota
aquela derradeira
não de sangue
mas de ilusão
me despi das ilusões, das confusões
me despi de mim
para me encher de manoel e florbela
um pouco de galeano
um pouco mais de camille
e respirei mais leve

.é que às vezes faz falta alguma poesia.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

amor em minúscula

sim, existe um livro com esse mesmo nome: amor em minúscula.
faz tempo, mito tempo, que o li. mas, ainda assim, guardo em mim algumas coisas que aprendi com ele. se trata do amor em pequenos detalhes. as pessoas gostam muito de falar sobre amor. costumam dizer aleatoriamente que amam e, provavelmente, acreditam de verdade nisso. eu mesma já acreditei. mas o que é o amor? para mim, e conforme o que tento estudado e experienciado, é mais que um sentimento: também é uma escolha (e talvez esse seja o ponto mais difícil do amor). nos meus vinte e poucos anos falei para um número enorme de pessoas que as amava. será que de fato amava? mesmo? hoje olho ao meu redor e grande parte delas não faz parte da minha vida - e nem eu da delas. então... onde foi parar o amor? é possível amar apenas por um determinado tempo? é preciso amar sem estar/se fazer presente? é muito fácil "amar" e fazer parte do mundo de alguém quando essa pessoa se encaixa exatamente na sua rotina (amigos de faculdade, trabalho, etc), é fácil também quando é um amor superficial,  no qual você não precisa se doar muito... não sei bem qual a intenção desse texto e é meio estranho escrever aqui depois de tanto tempo, mas tenho pensado muito sobre o amor. e escrever aqui é quase escrever para a sofia ou para mim mesma, me ajuda a organizar os pensamentos.. bom, li num outro livro que amar todo mundo em geral é a mesma coisa que não amar ninguém especificamente. penso nesse momento de Jesus... Ele amou toda a humanidade amando cada pessoa que passou por Ele, amou individualmente e pessoalmente cada um deles. fico pensando como aplicar isso na minha vida. confesso que tenho um pouco de medo da compaixão/empatia porque, em mim, ela tem um efeito paralisante. sofro com a dor do outro e não sei muito bem o que fazer com essa dor que também sinto, não consigo transformá-la imediatamente em ajuda, em abraço, em palavras (aliás, não sei lidar com palavras). e algumas situações urgem ação! eu demoro muito pensando e pensando, refletindo e refletindo com meus próprios botões. sempre fui um pouco introspectiva, nunca soube bem como lidar com palavras e pessoas, embora por fora pareça alegre e extrovertida (sempre me falam isso). é um pouco complicado... às vezes até dói um pouco, parece algum tipo de farsa conscientemente montada, mas sei que não é. tenho pensado em maneiras de agir, ao invés de pensar tanto. gostaria tanto de ter ajuda e tenho orado por isso. gostaria muito de ser uma pessoa melhor a cada nascer do dia... não para parecer mais cool e popular, mas para cumprir o propósito de estar aqui:  ser sal&luz, tocar pessoas, me relacionar com pessoas, assim como Cristo se relaciona comigo, e amar pessoas - simplesmente por sua humanidade. não sei como terminar esse texto, mas outro dia vi uma frase do leonardo boff que se relaciona bem com o que falei no início desse texto e percebo que amar é cuidar! portanto, quero cuidar mais do outro, do mundo e de mim (como diria  a música do ray lima). cuidar nos pequenos detalhes. cuidar em minúscula.

“o que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. cuidar é mais que um ato; é uma atitude. portanto, abrange mais que um momento de atenção. representa uma atitude de ocupação, preocupação, de responsabilização e de envolvimento afetivo com o outro.” leonardo boff

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

aviso: esse não é um post fofo.

passo por bueiros, becos e vielas
passo com medo
passo com pressa
no meu pensamento, exclamo:
"que belo mundo de merda"
naturalizamos atrocidades
engolimos conceitos distorcidos
tortos, equivocados
tão tortos como os becos e as vielas
naturalizamos uma vida robótica
naturalizamos amores robóticos
idealizamos uma paz existente apenas depois
depois de quê?
não vivemos no presente.
apenas no futuro!
depois de passar por bueiros, becos e vielas,
só temos direito de exclamar:
"vaya mundo de mierda"

quinta-feira, 14 de julho de 2016

uma pequena tempestade vinda do norte tirou-a do chão de súbito. gotas salgadas se avolumavam em seus cílios como pequenos cristais incandescentes antes que pudesse parpadear, dando um mover estranho às coisas ao seu redor. milhares de tortos quadros randômicos vagavam por sua máquina de escrevinhar pensamentos: eram detalhes que ela nunca veria, minutos incumpridos no tempo e no espaço, nuances de fatos desacontecidos ou acontecidos em sua ausência. um assombro acompanhou a tempestade. que faria com essa inundação de incertezas? seria sua vida sempre metade do que deveria? onde alcançar esse sonhos recém-sonhados, mas tão distantes do recém-traçado caminhar?

sábado, 9 de julho de 2016

esses dias

hoje não sei o que sinto
não sei se ainda sinto
sentimentos
conhecer alguém que se admira
é só o primeiro passo
pra começar a já não admirar
porque admiramos metades
admiramos pedaços
nunca o todo
nunca conhecemos o todo
nunca queremos conhecer o todo
queremos metades, pedaços
partes administráveis
partes domáveis
adestráveis
amáveis
somos tolos, mas
talvez haja alguma solução
seguiremos buscando
alguma solução

sexta-feira, 27 de maio de 2016

esconderijo

hoje eu tentei me esconder
dentro dos meus sonhos
dentro dos meus versos
dentro daquela lembrança
que chega de repente e gruda na alma
hoje eu li textos que antes lia
e vi um filme que sempre assistia
hoje ouvi aquelas músicas outra vez
e lembrei como era ser eu em 2003
ou 2013, não sei bem
como era ser eu?
a gente cresce e vai se largando por aí
os costumes de antes, hoje são meio bizarros
o chá que trazia conforto, parece doce demais
e os sonhos??
alguns mudaram tão completamente...
mas outros continuam aqui, aquecendo o coração
às vezes nem acredito nesse tempo todo que passou
nessas coisas todas que mudaram
nesse eu tão novo e tão antigo...

e daqui uns 10 anos,
hoje vai ser um dia que nem existiu.

quarta-feira, 25 de maio de 2016

sobre partir

não existe nada mais cortante
nada mais pungente
que a despedida.
por mais tempo que passe,
a sensação é a mesma...
é sempre sobre estar deixando
algo importante de si para trás
às vezes as coisas perdem um pouco de sentido
às vezes as coisas pedem um pouco mais de sentido
é sempre sobre voltar para a rotina esquecida,
e a cabeça nos indaga constantemente:
voltar pra quê?